quarta-feira, 3 de junho de 2015

XX ENCONTRO NACIONAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA POLÍTICA - SEP



 
Realizou – se o XX Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Política – SEP. Três notas minhas:

Participou no Painel I - Desenvolvimento latino - americano: integração e inserção internacional, a Professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IFCS/UFRJ, Diretora de Pesquisa da Rede e Cátedra sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (REGGEN) e recém eleita Presidente do Conselho da Associação Latino Americana de Informação - ALAI Monica Bruckmann.

A Sociedade Brasileira de Economia Política foi fundada em junho de 1996 como iniciativa da Pós – Graduação de Economia da Universidade Federal Fluminense – UFF e com apoio do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. A primeira Mesa do primeiro encontro estivemos Paul Singer, Mário Dwyer e eu.

A retomada da Economia Política iniciada pela SEP se estendeu por toda América Latina, dando origem à Sociedade de Economia Política Latino Americana, a SEPLA, que está presidida pelo Professor da UFF Marcelo Carcanholo. Nos últimos 8 anos consagrou – se a Associação Mundial de Economia Política que realizou já dois encontros na América Latina, no México e em Florianópolis (2013). Nesta oportunidade recebi o Prêmio Mundial de Economista Marxiano de 2013.

Confiram abaixo:

http://www.unila.edu.br/es/node/6673

Economia política

02.06.2015

Em debate, o desenvolvimento, integração e inserção internacional da América Latina

“O grande dilema da América Latina é o embate entre o desenvolvimento e o buen vivir”. De um lado, questões como a industrialização da América Latina, infraestrutura, mercado interno e, de outro, experiências envolvendo o respeito às comunidades, à sua autonomia e fortalecimento. “No choque desses modelos está uma das grandes perguntas para a economia e para a política. E perguntamos se são harmonizáveis esses dois modelos, cosmovisões ou visões de mundo. Esse é o dilema”. A colocação é do professor da UNILA, Félix Pablo Frigeri, durante o painel “Desenvolvimento latino-americano: integração e inserção internacional”, parte da programação do 20º Encontro Nacional de Economia Política, realizado na UNILA, entre 26 e 29 de maio.
Falando sobre integração latino-americana, Frigeri aponta o nascimento desse processo em 2005, com o desmonte da Alca. “Aí está a origem da integração latino-americana. Diria que a única região do mundo que hoje em dia trata de apresentar uma alternativa ao modelo neoliberal com relativa dimensão regional, com suas ambiguidades é a América Latina e o Caribe. Isso nos dá um momento político e epistemológico riquíssimo, único”, afirma.

Frigeri propõe pensar as distintas realidades da América Latina, não como uma situação negativa ou de atraso, mas como alternativa revolucionária das sociedades. “A qualidade dessa capacidade alternativa que teria esse espaço social, econômico, cultural, sempre considerado atrasado, está em sua exterioridade ao sistema capitalista.”

No mesmo painel,  Carlos Mussi, diretor do escritório brasileiro da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), abordou a economia política falando sobre diferentes solidões da região, a partir do discurso de Gabriel Garcia Márquez, de 1982, ao receber o Prêmio Nobel. Para ele, são três os tipos de solidão que acometem a América Latina: a solidão em relação ao resto do mundo; entre os países da região; e dentro de cada Estado. “A economia política tem de levar em consideração as solidões para ter capacidade de diálogo, para quebrar as diferenças.”
Mônica Bruckman, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), centrou sua apresentação no que considera uma das características mais marcantes do capitalismo mundial contemporâneo: a disputa global por recursos naturais estratégicos - minerais fósseis, minerais metálicos, água, biodiversidade. Para ela, essa disputa tem, na América Latina, duas visões muito diferentes e em choque: “os diferentes projetos e processos de integração a partir da ideia central da autodeterminação dos povos e da sua soberania e, de outro lado, uma estratégia de reorganização dos interesses hegemônicos dos Estados Unidos na região, com uma política multidimensional de apropriação e gestão desses recursos”. Um exemplo da estratégia adotada pelos EUA são os acordos econômicos bilaterais fechados com diferentes países usados para “debilitar a integração” da região.

Para reforçar seu posicionamento, a pesquisadora apresentou trechos de documentos, como o Plano de Ciência dos EUA para 2007-2017, que “mostram como se desenvolve um pensamento estratégico profundamente coerente, articulado, que é capaz de orientar todo os Estados Unidos, desde o âmbito militar até o plano científico, tecnológico, educativo e cultural, inclusive”.
Mônica Bruckman diz que essas questões devem levar a América Latina a “avaliar as condições estratégicas, históricas, que nossa região tem nesse processo de reconfiguração da nova ordem mundial”. “É um mundo que está passando por profundas mudanças e que exige que a nossa região seja capaz de desenvolver uma visão estratégica em relação à gestão desses recursos naturais porque, do contrário, estaremos correndo o grave risco de reproduzir as condições de dependência nas quais a nossa região se insere na economia mundial.”

Integração

 

O painel do qual participaram os três pesquisadores foi realizado na sequência da abertura do 20º ENEP. Os participantes da mesa ressaltaram a necessidade de um pensamento crítico a respeito da economia e a importância da integração latino-americano. “A economia política tem como  característica marcante a construção de um pensamento acadêmico crítico e transformador em conjunto com os atores sociais, trabalhadores e povos da América Latina. Não é mera coincidência que a UNILA tenha sido escolhida para o encontro”, disse o presidente da Sociedade de Economia Política e Pensamento Crítico da América Latina (Sepla), Marcelo Carcanholo.

Também participaram da solenidade de abertura do Enep, Niemeyer Almeida Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP); Félix Pablo Frigeri, diretor do ILAESP; Nielsen de Paula Pires, vice-reitor da UNILA; Jorge Samek, diretor-geral brasileiro de Itaipu; André Modenesi, secretário-adjunto da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec); Rubens Sawaya, representante da Associação Nacional de Cursos de Graduação em Ciências Econômicas; Luis Rojas Villagra, representante da Sociedade de Economia e Política do Paraguai; Guilhermo Gigliani, representante da Sociedade de Economia Crítica; Fernando Correa Prado, coordenador da comissão local organizadora do evento; e Mayara Aparecida Gomes, representante do Centro Acadêmico de Ciências Econômicas – Economia, Integração e Desenvolvimento.

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